Do feminismo à ''sororidade''
Às mulheres sempre foi imposto um modo relacional caricato; “Mulheres não são amigas de mulheres”; “Mulheres se não casadas são mal amadas”; “Mulheres são frágeis”; “Mulheres não dirigem bem”... Tantas opiniões pré-estabelecidas as quais não contribuíram para a formação de uma cultura do feminino. Mulheres precisaram ser queimadas em uma fábrica para termos um dia especial dedicado a elas.
Depois dos anos do confronto violento, da rivalidade no trabalho e nos sentimentos, as mulheres se tornam aliadas. A sororidade está no ar e é um dos sentimentos que pode nos salvar. E, para ilustrar, segundo os últimos estudos sobre o mundo animal, as fêmeas de muitas espécies agem segundo princípios de solidariedade e de amizade cuja graça até agora negligenciamos.
As elefantas, por exemplo, estão sempre ali dizendo entre si onde estão e o que estão fazendo, usando os bramidos como mensagens de celular. Assim também como as fêmeas de chimpanzé, que continuamente se olham nos olhos e descansam deitadas costas contra costas, para se protegerem. Seria uma forma de sororidade entre animais. Originalmente, a palavra "irmã" identificava as mulheres que faziam os votos e, de fato, a tradução inglesa sisterhood, como primeiro significado, se refere às freiras.
Porém; nos tempos atuais, com jornadas triplas, as mulheres precisam desdobrar-se em múltiplas tarefas. São cobradas nas emoções para que exalassem gentilezas e perfume. No papel de mães firmeza e amor; no papel de trabalhadora recato e não usar a ambição positiva para construir uma bela carreira. Tantas “caixas” tentando definir e rotular comportamentos. Acredito que; a grande reflexão, para nós mulheres é uma verdadeira expressão de apoio ao feminino. Não a um modelo feminista ultrapassado muitas vezes. A sororidade é a ferramenta que deveria pautar este movimento de re-união entre as mulheres. Uma avaliação fraterna do profundo mistério feminino de gerar vida; de preservar a vida e AMAR a vida.
Desde os tempos nômades foi a mulher que estabeleceu um ponto fixo de morada. O motivo? Cuidar dos doentes; feridos, idosos e crianças que já não conseguiam prosseguir suas jornadas. A profissão de enfermeira se constituiu neste período e depois se organizou na figura de uma grande mulher chamada Florance. Exemplos como de Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa. Há alguns anos se sabe que ela, como chefe do setor de passaportes do consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, burlou orientação da diplomacia brasileira e arriscou-se diante do regime nazista para salvar judeus. Talvez uma centena deles. A conta é incerta. A própria Aracy, que morreu em 2011, aos 102 anos, evitava comentar.
A mulher enfim; é de natureza solidária e deve sim comemorar seu DIA; seu MÊS e seu ANO. As mulheres precisam lançar mão de seus rótulos e fraternalmente conviver para o seu fortalecimento e proteção. Um dia 8 pleno a todas!
Cristiane França
Psicóloga UFPR, Especialista em Psicologia do Trabalho UFPR
Mestre em Educação PUCPR
Psicóloga UFPR, Especialista em Psicologia do Trabalho UFPR
Mestre em Educação PUCPR



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